fanzines de banda desenhada

terça-feira, dezembro 16, 2014

Café Noir - Fanzine estrangeiro premiado







Café Noir é o tipo de fanzine de BD que, devido ao seu excelente nível gráfico - impresso em offset num papel couché de elevada gramagem - suscita sempre entre nós a tendência para a classificação de revista, ou seja, incluí-lo na área das publicações profissionais e/ou comerciais.

Para afastar quaisquer dúvidas, o Café Noir foi galardoado no grande festival francês de Angoulême, em 1989, com o Alph'Art destinado à categoria de "Melhor Fanzine" do ano, pormenor que foi posto em destaque no canto superior da capa, Prix du Meilleur Fanzine Angoulême 89.

Em Portugal, alguns editores amadores, a fim de evitar que seja classificado de fanzine a publicação que editam, obtêm o ISSN e o Depósito Legal, convencidos que com tais legalizações ela passa automaticamente a ser classificada como revista.

Ora o fanzine em apreço mostra, no canto inferior direito, o ISSN obtido, e na ficha técnica lá está indicado Depôt legal 1er trimestre 1989. Não obstante terem cumprido essas exigências legais, candidataram-se ao Alph'Art a atribuir ao melhor fanzine e foram os vencedores.

Note-se que o Café Noir é publicado pela Association Philactère, uma associação sedeada em Canteleu. Sublinho este pormenor porque, em Lisboa, chegou a criar-se uma associação com o intuito de evitar a classificação de fanzine à respectiva publicação por ela editada.

Todavia, sendo essa associação dirigida por amadores (embora profissionais, sim, mas de áreas diferentes), o conceito estabelecido, que define há décadas o que é um fanzine, é bem claro: uma publicação editada por um ou mais amadores, portanto não editores oficiais, ou por uma entidade cultural, associação ou colectividade, sem fins lucrativos.

O que nada tem de pejorativo, e é pacificamente aceite - até com orgulho cultural em áreas experimentais ou alternativas - em países de mais elevado nível cultural do que o nosso.

Então porquê essa quase fobia que subsiste por cá, essa permanente fuga à palavra, optando, algumas vezes forçadamente, em casos de edições bem modestas, pela outra de revista?

Talvez devido, por um lado, a ainda hoje - passados mais de quarenta anos pela edição do primeiro fanzine português, o Argon - ser escassamente conhecido o neologismo.
Se alguém disser, num meio alheio ao editorial amador, que está a editar um fanzine, poderá receber da parte do interlocutor, a pergunta algo irónica, "mas o que é isso de fanzine"?

Já assim fui questionado imensas vezes. Claro que acabo por explicar, mesmo que sucintamente, a etimologia do vocábulo, que se trata de um tipo de publicação - que pode ter até aspecto de objecto, mas mais habitualmente surge sob o formato de um magazine - editada por um amador ou um grupo, dedicada a um qualquer tema, sendo a banda desenhada, a música e a poesia os temas mais frequentes em Portugal. 
A edição é à custa de colaborações "pro bono", não persegue intenções de lucro, habitualmente tem escassa tiragem, sem periodicidade regular - e mesmo que a indique raramente a cumpre, por falta de verbas ou de tempo - e sem distribuição a nível nacional.

Claro que um faneditor individual, ou uma associação, em alguns casos, consegue uma produção de qualidade. Foi o que aconteceu com o Café Noir, e é visível um certo orgulho no texto introdutório ao lado do Sommaire, onde é referido um anterior prémio, o "Phenix", recebido em Audincourt, e agora (em 1989) um novo galardão, o "Alph'Art".
Um orgulho perfeitamente compreensível.


Imagens que ilustram a postagem:
1. Capa do fanzine 
2. Página com índice, ficha técnica e editorial
3. 2ª prancha da bd "Fort Comme La Mort", de Gallas e Gré
4. Prancha inicial da bd "A L'Ouest", de Jans
5. Entrevista com Paul Gillon
6. Continuação da entrevista, com reprodução de prancha da bd "Fils de Chine", a mostrar os inícios de Gillon, sob argumento de Roger Lécureux, e uma biografia de Paul Gillon
7. Prancha da bd "Le Grand Silence", de Crépel e Grée 

Café Noir
Nº5 - Printemps 89
Preço: 25F - 175FB
Nº de páginas: 68
Formato: A4 - 21x29,7cm
Capa a cores,miolo a preto e branco           

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sexta-feira, novembro 24, 2006

Fanzines estrangeiros (IV) Barsowia (espanhol/galego)

Capa do fanzine espanhol Barsowia, prémio do público ao Melhor Fanzine de 2005, atribuído aquando do XXIV Saló Internacional del Comic de Barcelona.

Como diz na ficha técnica:
"Publicación sen ánimo de lucro do colectivo Pelagia"
Prancha inicial da banda desenhada Carta de Despedida, de David Rubin (*)

(*) David Rubin, um jovem autor espanhol, da Galiza, já conhecido dos bedéfilos portugueses que o encontraram nos Festivais de BD de Beja e da Amadora
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"Post" remissivo: há mais textos acerca de fanzines estrangeiros, localizáveis através da coluna "Archives", nas datas abaixo indicadas:
(III) Agosto, 22 - Manicomics
(II) Maio, 13 - We, the dogs
(I) Fev. 4 - Mycose
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Nota: Mais elementos acerca do fanzine Barsowia aqui focado podem ser visto/lidos no blogue Divulgando Banda Desenhada, através do endereço
http://divulgandobd.blogspot.com

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terça-feira, agosto 22, 2006

Fanzines estrangeiros (III) Manicomics - o fanzine vencedor no evento brasileiro "HQ Mix" 2005

Capa do fanzine Manicomics nº 33 - Junho 2006

Dez anos de publicação, trinta e três números editados. Ou seja: três números saídos anualmente, a plena demonstração prática de que a cadência editorial fanzinística brasileira é muito semelhante à portuguesa.
Leia-se um curto extracto do editorial, escrito por JJ Marreiros:

"Saiu o resultado do 18º HQ Mix e... tcharããã...
...O Manicomics foi eleito, por profissionais da área, pela terceira vez, o Melhor Fanzine do Brasil!"
"(...)A cada dia surgem novas publicações, a cada mês a qualidade dos zines brasileiros melhora e abriga a produção de muitos artistas talentosos que não têm outro meio para publicar, dado o fato das indústrias de enlatados ser muito forte no país:)"

Eu acrescentaria, em português de Portugal: de facto, a indústria de enlatados ocupa demasiado o tempo da televisão e, em resultado disso, o tempo das pessoas (adultos e jovens, claro).
Mas falemos de coisas sérias. De fanzines, por exemplo.
O Manicomics é, tudo leva a crer, uma mostra exemplar da edição alternativa brasileira, visto que, num universo de, pelo menos, muitas centenas de títulos (calculo eu) que se editam anualmente pelo vasto Brasil, ele já obteve por três vezes o prémio HQ Mix para o melhor fanzine brasileiro: em 2001, 2004 e 2005.

Saravá, JJ Marreiro, editor, Allan Goldman e Daniel Brandão, do conselho editorial, e autores (euh... ok, ok, quadrinhistas) das bandas desenhadas (euh... ok, ok, histórias em quadrinhos, sim sim, as HQ).

E, já agora, uma curiosidade minha: quem faz a boa revisão ortográfica (é uma coisa que também aprecio bastante fazer)? Como se pode ler na ficha técnica, com muita graça: "Revisão: É importante paca, se não sai um monte de herro:)"
Prancha inicial do episódio A Mulher- Estupenda em O Planeta Condenado!, da autoria (desenho e argumento) de JJ Marreiro

A Mulher-Estupenda (piscar de olhos a um dos alter-ego de Calvin, o "homem estupendo") é uma banda desenhada (ou seja, uma história em quadrinhos, versão em português do Brasil) em registo realista-caricatural, impecável, do talentoso e ecléctico JJ Marreiros, que é também o editor (e que teve a amabilidade de me enviar este exemplar - já agora, se ler este "post", onde é que obteve o endereço do meu apartado dos correios).
Há ainda uma outra bd, em registo cómico, de muito bom nível, protagonizada por um tal "Bezerro Bizarro" no episódio "Golpe de Mestre", da autoria de Lene, que serve de contraponto às restantes peças de figuração narrativa, uma banda desenhada humorística praticamente sem palavras e com muita graciosidade.

Prancha da bd A Origem de Cariawara, com desenho de Ronaldo Mendes e argumento de Daniel Brandão

Ronaldo Mendes, que demonstra elevado talento na obra "A Origem de Cariawara" é entrevistado neste número (por JJ Marreiro, claro), e diz, a certa altura, o seguinte:

(..) Infelizmente no Brasil a maioria dos quadrinhistas não consegue se sustentar fazendo apenas quadrinhos. Eu sou um deles."

Esta frase parece ser dita por algum analista do panorama bedéfilo português, tão perfeitamente se aplica à realidade dos artistas portugueses que gostariam de se dedicar em exclusivo à BD, mas que só conseguem subsistir fazendo banda desenhada, ilustrando livros (escolares, por exemplo) e trabalhando também no campo do desenho animado (ou cinema de animação, expressão preferida actualmente).
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Manicomics
Formato A5
28 páginas (capas incluídas) a preto e branco
Capa dura em cartolina (quando a capa passa a ser em papel, é por já se terem esgotados os primeiros 100 exemplares - informação obtida na resposta à carta dum leitor)
Editores:
Impossíveis
Cx. Postal 52897
CEP 60151-970
Fortaleza - CE
Brasil

Pedidos para:
Manicomics
A/c de JJ Marreiro
(no endereço acima indicado)

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"Post" remissivo
Nesta rubrica Fanzines estrangeiros está referenciado outro fanzine. Visitar, na data indicada: 2006
(II) Maio, 13 - We, the dogs
(I) Fev. 4 - Mycose

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A contracapa do fanzine pode ser vista no blogue Divulgando Banda Desenhada, no endereço:

http://divulgandobd.blogspot.com

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sábado, maio 13, 2006

Fanzines estrangeiros (II) - We, the dogs - Delírio luso-norueguês

O Pitchu! (o ponto de exclamação faz parte do pseudónimo) do Pedro (desculpa dizer o teu nome próprio, pouca gente o sabe, e ainda menos sabem o teu apelido, mas isso não vou dizer...) está a viver na Noruega, numa povoação (cidade? vila? qu'é qu'isso interessa?) chamada Trysil.

Editor compulsivo de fanzines (o Sub, em que ele foi sempre editautor, tem lugar marcado na fanzinologia nacional), não era lá por estar a viver na Noruega que ia deixar o "vício".

Por isso, tinha de ser: em colaboração com os Dongery de Oslo, fez o zine We the dogs para o Festival de BD de Estocolmo.

"Este número é sobre cães, não me perguntes porquê, mas é assim quando eu faço BD e zines com os Dongery, sempre a fazer confusão e a ter ideias idiotas... he he he", Pitchu! dixit.
Pronto, aí está o Pitchu! a ensinar (hábito que lhe ficou, digo eu, por ter sido professor numa escola secundária da Amadora durante uns anitos) como se faz um cão feliz.
Uma página (colectiva) feita por dois desenhadores, em versão trilingue (norueguês, inglês e português).
Para finalizar, no verso da carta, o "Pitchu!" acrescenta como bónus esta ilustração da vida "louca" em Trysil.
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"Post" remissivo
Nesta rubrica "Fanzines estrangeiros" está referenciado outro fanzine. Visitar, na data indicada:
2006
(I) Fev. 4 - Mycose

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sábado, fevereiro 04, 2006

Fanzines estrangeiros (I) Mycose - o fanzine vencedor no Festival BD de Angoulême 2006


MYcose - le zine sortie du slip, é um magazine de pequenas dimensões (10,5x19,5cm, não chega ao formato A5) mas, em contrapartida, tem um miolo bem nutrido de 68 páginas, em papel de boa gramagem, num matiz creme, com impressão gráfica de muito boa qualidade.

Na minha opinião, baseada na análise do exemplar premiado (o nº18), o júri terá tido em consideração, essencialmente, a originalidade gráfica da maioria das bandas desenhadas que compõem o conteúdo. A colaboração é bastante numerosa, embora algumas das bedês tenham sido realizadas em anos anteriores. É o caso da bd acima reproduzida, feita por Sofi, datada de 2004.

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