fanzines de banda desenhada

domingo, janeiro 17, 2016

BD nos fanzines - Lesbianismo, Super-Heroínas e Super-Vilãs


Poucos são os autores portugueses  de BD que tenham ousado criar bandas desenhadas com enfoque no lesbianismo.

Nem que fosse apenas por esse atrevimento, a banda desenhada "Highlights of Heaven" já mereceria consideração. 

Mas, para além disso, a qualidade invulgar dos desenhos, em que sobressai o domínio das formas do corpo feminino e a beleza dos rostos, faz elevar o nível de apreço pelo seu autor, que assina simplesmente Zé Francisco, um desenhador/autor de BD praticamente desconhecido do grande público, e até mesmo de muitos entusiastas conhecedores de BD.

Claro que nesta crítica cabe igualmente um elogio ao argumentista/guionista Véte (aliás, também desenhador), cuja mente congeminou esta trama simples e com laivos de humor, bem detectáveis desde logo pelas sugestivas alcunhas com que se apresentam as personagens,"velhacona" a super-vilã, "boazona" a super-heroína.

A publicação da inusitada peça deu-se no Tertúlia BDzine, um fanzine iniciado na Tertúlia BD de Lisboa em Janeiro de 1992, já com a presença editorial mais numerosa do fanzinato português, visto que atingiu o nº183 em Outubro do corrente ano de 2015. 

Ficha técnica
Tertúlia BDzine
Nº102 - Abril 2006
Formato A4 - Miolo: 4 páginas a preto-e-branco
Tiragem: 500 exemplares (editados em "tranches" de 50)
Distribuição gratuita na Tertúlia BD de Lisboa
Editor: Geraldes Lino
Apartado 50273
1707-001 Lisboa    

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sexta-feira, março 21, 2014

BD nos fanzines (II)



Ana Cortesão não tem, como arquitecta, obra que a distinga. Que eu saiba. Outro tanto não se poderá afirmar no que respeita à sua produção na BD, não pelo volume, mas pela marca pessoal que a distingue, tanto ao nível do conteúdo como ao do seu traço.

Por acaso, a curta de BD seleccionada para aqui não é bem representativa do seu estilo gráfico, embora corresponda ao espírito imaginativo e crítico, por vezes  truculento, com que Ana Cortesão sempre impregnou as suas bandas desenhadas. 

Apesar de a bd não ter título, seria perfeitamente possível atribuir-se-lhe um: "Arlete". Ele personaliza a personagem que não chegamos a conhecer, que até duvidamos que tenha existência real, mas que percorre as três pranchas do curto episódio representativo de um nonsense exemplar.

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ANA CORTESÃO

Síntese biobibliográfica

Ana Alexandra Soares de Castro Vieira Cortesão é natural de Lisboa, nascida em 1970. Licenciou-se em Arquitectura na Universidade de Lisboa.

Como muitos outros autores, iniciou-se nos fanzines. Títulos respectivos: Azul BD Três (nº1, 1993), GASP (nº 1, 1993), de novo no Azul BD Três (nºs 2 e 3, 1994), Joe Índio (1994), Azul BD3 (nºs 4 e 5, 1995). Ainda em 1995 colaborou no nº 2 do Quadrado, também no fanzine Bíblia (nºs 0 e 1 - 1996); Espongiforme - edição da Bedeteca de Lisboa, em 1996, no Azul (nº 1 - 1998), Bíblia (nºs 2,3,4,5,6, entre 1997 e 1998).

No álbum colectivo "Uma Criança Chamada Futuro - 25 BDs para 25 anos do 25 de Abril", jornal Público, 1999.

Além deste jornal, tem colaborações espalhadas noutros: Diário de Notícias (no suplemento/revista DN Magazine) e Independente (Caderno Vida).

No que toca a publicações estrangeiras, colaborou em "Porto Luna, Bandes Dessinées du Portugal" - Editions Amok, França, 1995.

(Texto incluindo elementos extraídos do "Catálogo de Autores de Banda Desenhada Portuguesa", edição da Câmara Municipal da Amadora e do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem - 2003) 
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Ilustram o presente "post":
- As três pranchas da banda desenhada (sem título) de Ana Cortesão
- Capa do fanzine "GASP" ("Germens Amotinados Sobre Papel") onde foi publicada a banda desenhada

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Os interessados em ver a postagem anterior deste tema, poderão facilmente fazê-lo clicando no item BD nos fanzines, visível no rodapé.

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quarta-feira, janeiro 15, 2014

BD nos fanzines (I)



 Nos fanzines da minha numerosa colecção abundam pequenas banda desenhadas (por vezes há algumas extensas, mas mais frequentemente, são curtas de BD) que, umas pela qualidade dos desenhos, outras pelo interesse do conteúdo, bem mereceriam ser divulgadas. Não me é possível, fisicamente (leia-se, disponibilidade e tempo suficiente) fazer tudo quanto gostaria de fazer, e esta seria uma dessas coisas que tenho adiado sine die. Aqui fica um princípio. 

Na obra "Folhas Caídas" de Almeida Garrett, há uma poesia intitulada "Pescador da Barca Bela" que, quando a li pela primeira vez há umas dezenas de anos, me impressionou muito fortemente. Tanto, que a seleccionei para uma antologia de carácter pessoal e intransmissível.

Até que, num destes dias, quando estava a pôr em ordem a minha fanzineteca - algo desordenada após a exposição no Festival AMADORABD, mais concretamente na Galeria Artur Bual - quando se me deparou o fanzine PQñ? Porque Não? (nº1-Fev.92), onde reencontrei a tal poesia, desta vez ilustrada pela arte da banda desenhada.

Ocorreu-me de imediato passá-la para os meus dois blogues, coisa que não me teria sido possível fazer no ano em que comprei o fanzine, porque só passei a ser blóguer (ou bloguista) em Março de 2005, início do blogue "Divulgando Banda Desenhada", e em seguida, Janeiro de 2006, neste "Fanzines de Banda Desenhada" (na realidade, tive um "site" intitulado "Sítio dos Fanzines", anterior a este, mas foi-me apagado pelo servidor, por o blogue ter sido criado com ligação a br, e eu ter tido largos períodos de tempo sem o actualizar). 

Voltando à bd deste fanzine que aqui fica reproduzido: Teresa Andrade foi a autora da bd quando era uma jovem aluna da Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro.
Nunca a conheci, por isso não faço ideia se voltou a fazer banda desenhada, mas nesta transposição de um trecho poético para figuração narrativa demonstrou, em apenas duas pranchas, capacidade gráfica e qualidade estilística.

O fanzine teve coordenação de Francisco Gil, à época professor daquela escola. 

Imagens que ilustram o "post": 

1 e 2 - As duas pranchas de BD com a poesia "Pescador da Barca Bela
3 - Capa do fanzine 

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É fundamental ler-se a poesia. Peço desculpa de lembrar que para aumentar a imagem é necessário clicar uma primeira vez, e após a ampliação inicial clicar de novo sobre a imagem da lente 
 

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