fanzines de banda desenhada

Sábado, Dezembro 22, 2012

Efeméride #5


O fanzine Efeméride foi criado no invulgar formato A3 para homenagear personagens de banda desenhada criadas em tempos idos, e que foram atingindo, após o seu aparecimento - quer nos suplementos dominicais americanos, quer em revistas - um número redondo de anos: Little Nemo in Slumberland, de Winsor McCay, teve início em Outubro de 1905, o que deu azo à comemoração da efeméride dos cem anos, tendo eu editado o primeiro número do fanzine Efeméride em Outubro de 2005, com o título Sonhos de Nemo no Século XXI, cujas pranchas constituiram uma exposição patente no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora

O projecto desenvolveu-se com as obras Príncipe Valente no Século XXI (Nº 2 - Fevereiro 2007), Super-Homem no Século XXI (Nº3 - Junho 2008), Tintim no Século XXI (Nº4 - Junho 2009) e, finalizando a existência do fanzine, com o nº5 dedicado a Corto Maltese no Século XXI (*), no mês de Julho de 2012, quarenta e cinco anos depois do início da sua publicação, na revista italiana Sgt. Kirk, em Julho de 1967.

(*) Tal como acontecera com as pranchas do nº1, também as deste nº 5 deram azo a uma exposição, desta vez no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, entre 26 de Maio e 10 de Junho de 2012.

As imagens que ilustram o topo do "post" referem-se a (de cima para baixo):

1) Capa do fanzine, de Regina Pessoa
2) Prancha do episódio "Cliché", de José Pedro Costa
3) Prancha do episódio "No séc. XXI? Aquilo já era esquisito no séc. XX", de Pedro Massano
4) Prancha do episódio "O Vazio", de Carlos Páscoa5) Prancha do episódio "Corto no Alentejo", de João Sequeira "JAS"(desenho), Luís Pedro Cruz (argumento)
6) Prancha do episódio "Os dois Pratts", de JCoelho (desenho), David Soares (argumento)
7) Prancha do episódio "Numa Praia da Linha", de Joana Afonso
8) Prancha do episódio "Corto Maltese e as Mulheres no Século XXI", de Ricardo Cabrita

Ficam aqui reproduzidas a capa e sete pranchas como mero "teaser" para os interessados em verem a totalidade das 43 que compõem o miolo do fanzine

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Para quem não conheça o zine, nem o venha a conhecer - a tiragem é de 150 exemplares apenas, e já só restam poucos - reproduzo o meu editorial:

Corto Maltese alter ego de Hugo Pratt

Há muitas semelhanças entre Hugo Pratt, autor de banda desenhada, e Corto Maltese, herói de papel por ele criado. É um facto detectado pelos especialistas e pelos leitores mais atentos.

Todavia, um pormenor importante os distingue. Enquanto que Hugo Eugenio Pratt, como qualquer mortal, nasceu apenas uma vez - em Rimini, Itália, a 15 de Junho de 1927 -, Corto Maltese nasceu duas vezes, por muito estranho que isso pareça, mesmo para uma personagem de BD.

A primeira foi quando o seu criador ficcional e gráfico lhe marcou, como data de nascimento, 10 de Julho de 1887. A segunda teve lugar no acto concreto da sua aparição comopersonagem de banda desenhada, no primeiro número da revista mensal italiana Sgt. Kirk, em Julho de 1967. É nessas páginas que se publicam as primeiras seis pranchas da novela gráfica Una Ballata del Mare Salato.

Quando Corto surge, a sua imagem não corresponde propriamente à de um herói: ele aparece amarrado a uma cruz decussata em cima de uma jangada que voga ao largo das ilhas Salomão, em pleno Oceano Pacífico. E representa, naquela obra seminal, o papel de mero figurante.
Para cúmulo, as suas origens que posteriormente se vêm a tornar conhecidas, também não são brilhantes nem têm especial dignidade: nasceu em La Valetta, na ilha de Malta, fruto de relação casual entre a cigana andaluza Niña de Gibraltar, prostituta, e um marinheiro inglês da Cornualha, de passagem ocasional por aquela ilha mediterrânica.

Quanto a semelhanças entre a personagem e o criador, nenhumas até aqui, obviamente. Na realidade, elas detectam-se ao compararem-se com as características nómadas do seu progenitor artístico - neste caso, o autor da ficção -, visto que Corto, sendo marinheiro de profissão, desempenhará, ao longo da saga, o papel de aventureiro errante, protagonista de peripécias em África, nas Caraíbas, no Brasil, na Rússia, na Irlanda, em Itália, mais concretamente em Veneza, cidade pela qual se sente da sua parte um subtil fascínio.

Aqui, a semelhança é flagrante. Pratt, embora nascido em Rimini, passou a infância e parte da juventude naquela belíssima cidade do Adriático, que sempre considerou como a sua verdadeira terra deorigem.
E, tal como Corto, também ele viajou muito, tendo vivido mesmo em diversos países -além do seu país de origem, onde viveu a infância, permaneceu durante algum tempo na Etiópia, mais tarde na Argentina, onde trabalhou bastante na BD, depois no Brasil (Baía, Amazónia), e finalmente na Suiça, onde terminou o seus dias, vitimado por cancro, a 20 de Agosto de 1995.

Outras características coincidentes entre autor e personagem: ambos são atraentes e volúveis.

Quanto a Pratt, a sua vida amorosa iniciou-se na adolescência quando vivia na Etiópia, com uma jovem etíope chamada Mariam. Depois desta foi Fernanda Brancati, mas também Erika, Leonora Schena, e várias outras namoradas, até chegar às três mulheres principais da sua vida: Gucky Wogerer, de origem jugoslava, com quem casará em veneza, em 1953 (de cujo casamento nasceram Lucas e Marina) e se divorciará em 1957; Gisela Dester, de origem alemã, que será sua assistente e companheira; e Anne Frognier, de origem belga, com quem teve um filho, Giona, e uma filha, Silvina. Mas também teve uma filha com uma mestiça brasileira da Baía, e a seguir, numa breve passagem de vinte dias pela Amazónia, onde viveu com os índios Xavantes, por lá ficou um filho seu.

No que diz respeito a Corto Maltese, ele é um dos mais charmosos heróis de papel, capaz de impressionar fortemente as mulheres com quem se cruza - Pandora, Morgana, Banshee O'Dannon, Louise Brookszowic, a "bela de Milão", "Pezinho de Prata", entre outras -, e torna-se evidente a sua atracção por algumas, mas jamais se fixará em qualquer delas.

Isto para que - como confidenciou Pratt numa entrevista - Corto se mantenha sempre disponível. Astuto enquanto ficcionista, o autor criou-lhe uma situação especial, a de estar fortemente ligado a um amor perdido, estratagema digno de um criador de génio.

Mas talvez para o mostrar sensível a uma certa nostalgia amorosa, Pratt inculcou-lhe uma bem humana reacção: a de não conseguir apagar da memória a recordação da jovem Pandora, que conhecera em 1913 - tinha ele vinte e seis anos - numa ilha do Pacífico.

Uma outra afinidade entre autor e personagem advém do facto de já muito divulgado de Pratt ser maçon. Em Fábula de Veneza, percebe-se que só alguém conhecedor das praxes maçónicas e dos seus secretismos, poderia incluir, logo na página inicial, certas palavras porventura habituais naquelas cerimónias (proferidas por um encapuçado): "em nome da maçonaria universal, sob os auspícios da Grande Loja de Itália".

Ora, enquanto personagem, Corto igualmente participa, embora acidentalmente, numa reunião de encapuçados maçons. E quando ele comenta "por certo os senhores são da Pitágoras", depreende-se que tem conhecimentos na matéria, mesmo que sendo apenas "o profano Corto Maltese", como lhe chama o "irmão Scarpetton", "Mestre Secreto".

Há ainda um aspecto que mostra como o autor se espelhou na própria personagem: é sabido que Pratt, na sua errante e bem preenchida juventude, chegou a cantar em festas. E Corto também gosta de cantar. Constata-se esse pormenor no episódio Concerto em O Menor para Harpa e Nitroglicerina, quando sai da sua boca um balão de fala cheio de notas musicais, acompanhadas dos versos: "Hoje sou um javali/Sou um rei forte/e vencedor/O meu canto e as minhas palavras eram gratas noutros tempos..."

Restarão dúvidas de que Corto é o alter ego de Pratt?

Geraldes Lino

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Autores das bandas desenhadas (desenhadores e argumentistas) por ordem alfabética:

Alice Geirinhas
Álvaro
Ana Madureira
André Ruivo
ARechena (Andreia Rechena, Dona Zarzanga)
Arlindo Fagundes
Carlos Páscoa
"Zíngr" (Carlos Zíngaro)
Daniel Lopes
David Campos
David Soares
Falcato (Miguel Falcato)
Ferrand (Ricardo Ferrand)
Filipe Abranches
J. Mascarenhas
JCoelho (Jorge Coelho)
Joana Afonso
João Chambel
João Sequeira (JAS)
José Lopes
José Pedro Costa
Lam (João Pedro Lam)
Luís Guerreiro
Luís Pedro Cruz
Machado-Dias
Marco Mendes
Maria João Careto
Mota (Pedro Mota)
Nazaré Álvares
Nuno Saraiva
Paulo Monteiro
Pedro Massano
Pedro Nogueira
Pepedelrey (Elpep)
Regina Pessoa
Renato Abreu
Ricardo Cabral
Ricardo Cabrita
Roberto Macedo Alves
Rui (Rui Pimentel)
Santo (Ricardo Santo, Ricardo Santo Machado)
Susa (Susa Monteiro, Susana Monteiro)
Tiago Baptista
Vasco Gargalo
Victor Mesquita.

Capa
Regina Pessoa

Contracapa
JCoelho / David Soares

Design e paginação: Jorge Silva
http://almanaquesilva.wordpress.com
http://livingdeadcovers.wordpress.com
jorge.silva@silvadesigners.com

Tiragem
150 exemplares

Editor
Geraldes Lino
http://divulgandobd.blogspot.com
http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com
http://geraldeslino.interdinamica.pt
geraldes.lino (arroba) gmail.com
Apartado 50273
1707-001 Lisboa

Números editados anteriormente, títulos e datas de edição:

Nº 1 - Sonhos de Nemo no Século XXI (Homenagem pelos 100 anos de Little Nemo in Slumberland) - Data da edição: 15 de Outubro de 2005

Nº 2 - Príncipe Valente no Século XXI - Data da edição: 13 de Fevereiro de 2007

Nº 3 - Super-Homem no Século XXI - Data da edição: Junho de 2008

Nº 4 - Tintin no Século XXI - Data da edição: Janeiro de 2009

Notas do editor:
Estes quatro números foram impressos em quadricromia, contrariamente ao presente nº 5, a preto e branco.

Justificação da homenagem a Corto Maltese:
Entre Julho de 1967, data do aparecimento da personagem, e Julho de 2012, data da edição deste quinto número do fanzine Efeméride, medeiam 45 anos.
Em jeito de homenagem, quarenta e cinco autores (43 desenhadores e 2 argumentistas), inventaram novas peripécias, trazendo o herói para o século que decorre e, apesar de viajante compulsivo, fazendo-o visitar novas paragens, inclusive Portugal, onde o seu criador esteve várias vezes.
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Quinta-feira, Dezembro 06, 2012

Fanzines, Focos de Resistência - Tema: Artigos Sobre Fanzines (Os Meus Artigos)






No artigo intitulado "Fanzines, Foco de Resistência", que fica reproduzido abaixo, publicado inicialmente no fanzine Banda datado de Setembro de 1993, e que também já reproduzi na etiqueta "Fanzines Esses Desconhecidos", no meu outro blogue, o "Divulgando Banda Desenhada" -, falo apenas de fanzines de BD, que são aqueles que conheço bem, visto ter uma importante colecção que iniciei na década de 1970.
Do citado artigo, que dividi em duas partes, apenas registo aqui a que diz respeito em exclusivo a uma análise acerca deste tipo de magazines amadores.

Que fique claro o contraste entre fanzines de BD e revistas de BD: ao invés dos fanzines, entram na categoria de revistas de banda desenhada apenas as publicações comerciais/profissionais, lançadas por editoras legalizadas, que as editam com a finalidade de obterem lucro, a fim de cobrirem as despesas de edição - onde se inclui o pagamento aos autores colaboradores, um ponto fundamental para a classificação de revista.

As publicações editadas por editores não profissionais - ou seja, amadores, a nível individual, ou em grupo, ou mesmo em associações culturais sem fins lucrativos, que não pagam aos autores colaboradores, trabalhando estes pro bono -, eis os fanzines.

Reproduzo em seguida esse meu texto, escrito há quase vinte anos, mas que se mantém com suficiente actualidade.
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FANZINES, FOCO DE RESISTÊNCIA

Para análise do artigo anterior [dedicado à vida mais ou menos efémera das revistas de BD comerciais], conclui-se que seria natural o aparecimento de uma solução alternativa.

Assim se chega a esse fenómeno editorial amador, humilde mas activo componente da imprensa paralela que são os fanzines.

Editados em curtas tiragens, por apaixonados apreciadores de vários temas com aceitação relativamente restrita, fazem parte do fandom, abreviatura de origem americana pela qual passou a ser conhecido o domínio dos comic books e dos zines, onde se incluem os newzines, graphzines, slimzines e prozines.

Verifica-se, através deles, que a maioria dos bedéfilos mantém as suas justas exigências artísticas - quer como apreciadores, quer como autores - e também as suas necessidades de acesso à informação actualizada, permitindo que os fanzines se mantenham imprescindíveis, (1) enquanto activos e constantemente renovados suportes de BD.

Uma das suas facetas mais evidentes e positivas, é a de neles participarem vários estratos de bedéfilos: os que têm tendências artísticas, mas que não vêem quaisquer hipóteses de serem publicados de outra forma; os que gostam de escrever, quer se trate de argumentos, estudos ou críticas; por último, os que preferem ser editores, seja para divulgarem as suas próprias produções, seja para terem o prazer de publicar autores que conhecem e apreciam.

Em qualquer dos casos, vários nomes actualmente bem conhecidos no meio tiveram a sua estreia em fanzines.
Entre nós, as várias dezenas de fanzinistas que colaboram nas diversas vertentes, são de escalões etários diversos. No que concerne aos numerosos desenhadores - e também aos argumentistas, estes bem mais raros -, eles são bastante jovens, quase sem excepção.
Algo diferente é o panorama que abrange editores, críticos e estudiosos, onde é habitual encontrar considerável número de adultos.

Sabem todos os apreciadores de BD mais informados - em especial os fanzinéfilos e fanzinólogos - que os fanzines se dividem em três géneros: os que se dedicam em exclusivo à publicação de bandas desenhadas; os que são totalmente preenchidos por textos (estudos, críticas, biografias e noticiário); e os mistos, que englobam estas duas facetas.

O primeiro fanzine de que há memória foi o Giff-Wiff, (2) editado em França em 1962. Era de boa qualidade, e dedicava-se em especial à exegese da BD, mas também à informação.
Quer isso dizer, portanto, que a primeira necessidade sentida pelos faneditores pioneiros foi a de poderem publicar textos sobre a matéria.
É natural que assim tenha acontecido: estava-se num período de prosperidade editorial, havia suficientes revistas para publicar banda desenhada propriamente dita e, consequentemente, apenas se fazia sentir a falta de uma publicação que se dedicasse em exclusivo àquela nova tarefa.

Quanto ao que aconteceu por cá, dez anos mais tarde - o fandom português iniciou-se com o Argon, editado em Janeiro de 1972 - foi, nos seus começos, exactamente o oposto. Além de aspecto bastante artesanal, este iniciador do movimento fanzinístico em Portugal - há um anterior, o Melro, curioso caso de pioneirismo avant la lettre, embora mera iniciativa isolada e inconsequente - ocupava todas as suas páginas com bandas desenhadas de autores principiantes, sinal de que era aí que doía. Ou seja:os jovens sentiram a necessidade de um espaço permissivo onde pudessem publicar as primeiras tentativas. Todavia, no seu quarto e último número, o Argon passava também a incluir notícias e artigos, diversificando o seu conteúdo.

Daí por diante, o panorama fanzinístico nacional continuou por trilhos semelhantes, apenas sendo de realçar o nível gráfico alcançado por alguns dos títulos publicados, ou a sua longevidade.
Mas, com maior ou menor qualidade, mais ou menos longa duração, todos os fanzine têm tido uma luta comum: a de constituirem campos de ensaio abertos a vários tipos de experiências gráficas, a novos ensaísta, críticos e estudiosos, e até - embora esporadicamente, já aconteceu - a provocarem o surgimento de editores amadores.

Numa época eminentemente recessiva, no que à BD se refere, é indubitável que os fanzines dão azo a que se mantenha em actividade grande número de quadradinhófilos - termo aplicável a quem prefere a tradicional denominação de histórias aos quadradinhos - que facilitam a divulgação de novos valoresnas diversas áreas, e permitem o aperfeiçoamento das já existentes.

Em última análise, é graças aos fanzines que o meio bedéfilo permanece vivo, e se vai alargando de Norte a Sul do país.
Pode acontecer que, chegados a certo ponto, se depare aos fanzinistas a impossibilidade de atingir a meta ambicionada: a publicação das suas bandas desenhadas, estudos, ensaios ou críticas em revistas profissionais, pelo simples facto da sua inexistência.

Mas enquanto existirem fanzines, haverá onde coninuar a albergar as produções artísticas e literárias de todos os bedéfilos, jovens ou menos jovens.
Com a sua vitalidade e, algumas vezes, irreverência, os fanzines significam, no mínimo, um permanente ponto de encontro e conhecimento mútuo dos bedéfilos.
E é possível que possam vir a constituir, em desespero de causa, um último e constantemente renovado foco de resistência e sobrevivência da banda desenhada.(3)

Notas
(1) Esta afirmação, que era pertinente em 1993, deixou de o ser nesta última década. Já não há publicações em papel, amadoras ou profissionais, imprescindíveis. Mesmo as francesas e as espanholas vão desaparecendo umas após outras, tal como também acontece com os jornais. Para o bem e para o mal, existe a Internet.

(2) Posteriormente obtive informação acerca do fanzinato nos Estados Unidos da América, e concluí que, afinal, tinham sido faneditores americanos a editarem os primeiros fanzines, tendo sido também lá que se criou esse neologismo em 1940, por um tal Louis Russel Chauvenet.

Por conseguinte, aproveito para corrigir e actualizar aquela informação:
O primeiro de todos os fanzines foi dedicado à Ficção Científica e teve por título Cosmic Stories, editado em 1929 por um jovem chamado Jerome (Jerry) Siegel, que, como é sabido por todos os que lerem estas notas, haveria de ser um famoso argumentista, tanto quanto o herói Super-Homem para o qual iria escrever múltiplos argumentos para o seu amigo Joe Shuster desenhar.

Quanto ao primeiro fanzine dedicado à BD foi o Fantasy World (mais tarde com o título mudado para Phantasy World) começado a editar por David A. Kyle, em Fevereiro de 1936.

(3) Quando escrevi isto devia estar muito optimista.

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Domingo, Outubro 28, 2012

Mercado de Fanzines no 23º Festival BD Amadora



Graças à iniciativa de Machado-Dias - responsável da pequena editora independente Pedranocharco -, o Festival Internacional de Banda Desenhada - AMADORABD/2012 tem, desde o ano passado, um espaço destinado aos fanzines de banda desenhada. O seu título: Mercado dos Fanzines

Dedicado em exclusivo a este tipo de magazines amadores, maioritariamente dedicados à BD, este espaço mercantil constitui uma útil ideia posta em prática, e daqui se alertam todos os faneditores da sua existência.

Declaração de interesses: faço esta chamada especial por diversas razões, uma das quais é o facto de lá estarem à venda vários dos meus fanzines, com destaque para o mais recentemente editado, o Efeméride.

Quarta-feira, Outubro 24, 2012

Exposições de Fanzines



Em publicação contínua desde 1992 - aperiodicamente, como é apanágio dos fanzines -, o Mesinha de Cabeceira, essencialmente dedicado à banda desenhada, merece do seu editor, Marcos Farrajota, o esforço da montagem de uma exposição que intitulou 20 Anos do Mesinha de Cabeceira (no âmbito da Trienal Desenha 2012), a inaugurar dia 25 Out. 5ª feira, pelas 19h, e que estará visitável no Museu da Água da EPAL, até 16 de Dezembro de 2012.

Pranchas originais de BD e de Ilustração, mas também exemplares de fanzines (com preponderância do MdC, já com o mais recente número 23 incluído) é o conteúdo desta mostra, que constitui uma iniciativa invulgar na área do fanzinato.

Claro que também não é comum a longevidade deste zine, criado pela dupla de autores Marcos Farrajota/Pedro Brito (colaboração mantida entre 1992 e 1996), nem tão pouco o seu percurso editorial, já com números reproduzidos em fotocópia, por serigrafia e em offset.

No que concerne à exposição, estarão patentes originais de vários autores, designadamente Pedro Brito, João Maio Pinto, André Lemos, Marcos Farrajota e Jucifer (estes de Portugal), Monica Nilsen (Noruega), Mike Diana (E.U.A., Dice Industries (Alemanha).

Local da exposição:
Museu da Água da EPAL (Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos)
Rua do Alviela, 12 - Lisboa

Horários - Seg.a Sáb.: 10h - 18h
Acesso: Autocarros 104 e 35
Telefone 218 100 215
Internet: http://museudaagua.blogspot.pt 

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Terça-feira, Outubro 23, 2012

Fanzines esses desconhecidos - "Fanzaine"?











"Fanzaines"? A ignorância que há sobre os fanzines já chegou ao ponto de aparecer assim escrito, "fanzaines", no programa do 5º Encontro Nacional de Ilustração, começado a realizar em 15 de Outubro e que terminará em 23 de Novembro, nos Paços da Cultura da Junta de Freguesia de S. João da Madeira.

No programa provisório que foi apresentado no site daquela entidade vai-se lá ter clicando na alínea "Programa", e em seguida no dia 20 de Outubro de 2012, para tomar conhecimento das actividades daquele dia.

E depara-se-nos, na 7ª linha, esta aberração ortográfica, no que se refere aos fanzines:

Um estúdio frutífero em fanzaines!

E quem são os especialistas que irão falar sobre este tema? Lindomar Sousa e Olímpio Sousa (os irmãos angolanos organizadores do já prestigiado, a nível africano, Festival de Banda Desenhada de Luanda), e J.Mascarenhas (criador da muito conhecida personagem de BD, "O Menino Triste").

Obviamente que não foi nenhuma destas três personalidades ligadas à banda desenhada (eles próprios editores de fanzines), que escreveu tão incrível barbaridade linguística.

Mas que ela está lá, está, escarrapachada no programa do evento, visionável (*) no endereço:

http://www.fsjm.pt/quintoencontroilustraçao/programa.asp

Nota "a posteriori" -  O disparate foi corrigido, aliás a correcção foi radical: a palavra fanzine desapareceu do programa.

(*) Aliás, hoje, 23 de Outubro, fui de novo visitar o endereço acima indicado e está cancelado.
 
Imagens que ilustram o "post" (de cima para baixo)
1. Tira de banda desenhada dedicada aos fanzines do autor brasileiro Laerte
2. Capa do Fanzine das Xornadas de Ourense (Galiza, Espanha)
3. Capa da obra "Dédalo dos Fanzines - O Catálogo das Publicações Amadoras de Banda Desenhada em Portugal", única obra portuguesa sobre fanzines, da autoria de Leonardo De Sá e Geraldes Lino 
4. Boa ilustração com imagem arquitectural que talvez tenha a ver com o local do evento


P.S. - Obrigado, Rui Brito, por me teres chamado a atenção para mais esta prova de desconhecimento do fenómeno fanzinístico. 

Domingo, Julho 29, 2012

Banda Poética - 1º Fanzine Cabo-verdiano





Concretizou-se neste mês de Julho, em Cabo Verde, cidade da Praia, uma iniciativa surpreendente: o lançamento do primeiro fanzine cabo-verdiano, intitulado Banda Poética. Tal como se depreende, abarca dois temas - poesia e banda desenhada -, e nele ressalta um pormenor inesperado: foi editado por iniciativa de uma portuguesa, ali residente temporária, Inês Ramos.

Amante de poesia, em primeiro lugar, mas também apreciadora de BD, a designer gráfica portuguesa deslocou-se a Cabo Verde há dois anos, a cumprir um contrato, na capital do país. Mas para além da sua actividade profissional, a nossa amiga portuguesa, com temperamento de lutadora e acentuada pulsão por actividades literárias e artísticas, resolveu a certa altura - Novembro de 2011 - começar a organizar no Centro Cultural do Palácio Ildo Lobo, um evento inusitado, que intitulou de "Feira de Poesia e Banda Desenhada", com carácter periódico, realizado mensalmente.

Os contactos com alguns cabo-verdianos apreciadores das duas áreas fez nascer em Inês a ideia de lançar um fanzine. A pouco e pouco foi conseguindo umas tantas colaborações, e assim reuniu várias peças - diversos poemas e uma banda desenhada, esta da autoria de Heguinil Mendes - suficientes para editar o Banda Poética, que, até prova em contrário, terá sido o primeiro fanzine editado em Cabo Verde, graças ao espírito irrequieto e criativo de uma portuguesa.

Inês Ramos, também bloguista com o blogue "Porosidade Etérea", vai voltar a Portugal no final deste mês de Julho, e conto com ela na minha Tertúlia BD de Lisboa, no dia 7 de Agosto.
Entretanto, já foi convidada para participar num Festival Internacional de Banda Desenhada a realizar na Argélia.

Saravá, amiga Inês Ramos! 

As imagens que se vêem no topo do "post", são as seguintes (de cima para baixo):
1) Cartaz do fanzine
2) Prancha de banda desenhada reproduzida no fanzine, da autoria do cabo-verdiano Heguinil Mendes 

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“Banda Poética”
Fanzine de Poesia e Banda Desenhada
N.º1 - Julho 2012
Formato A4, capa e contracapa a cores, miolo a preto e branco.
Edição, Design e Paginação: Inês Ramos
Desenhos e poemas de: Álvaro Cardoso, Anilton Levy, António Lopes Teixeira, Flor Porto, Heguinil Mendes e Sai Rodrigues.
Impressão: F&Ciência
Tiragem: 500 exemplares
Preço: 300$00
Cabo Verde

Contactos:
Inês Ramos: inesramos.designer@gmail.com
Álvaro Cardoso: alvarocardoso2012@hotmail.com
Anilton Levy: ajbooss@hotmail.com
António Lopes Teixeira: alteixeira24@gmail.com
Flor Porto: fdeporto@hotmail.com
Heguinil Mendes: heguimendes@yahoo.com
Sai Rodrigues: sairod99@gmail.com

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2012

Fanzineteca UzineFanzine



No dia 4 de Fevereiro, sábado, vai inaugurar-se em Coimbra, nas instalações da Associação Arte à Parte, situada no Arco do Almedina, uma fanzineteca, que vai ter o nome de Fanzinoteca UzineFanzine.

Tive conhecimento da novidade através de uma notícia da Lusa, e reconheço que se trata de uma iniciativa notável.

Pelo que li, a ideia de criar este equipamento dedicado em exclusivo aos fanzines partiu de dois fãs de zines, Fernando Ferreira - responsável pelo blogue UzineFanzine, para o qual tenho um link neste meu blogue - e Nuno Loureiro, editor de um extinto fanzine, o Vortex.

Curiosamente, embora o bloguista Fernando Ferreira saiba da minha existência, enquanto bloguista e fanzinista, visto que até já fez referências a fanzines meus no blogue UzineFanzine-, não fui contactado para fornecer exemplares de fanzines por mim editados (e já tenho a meu crédito catorze títulos, desde o Eros ao Efeméride) - destinados ao acervo que irá ficar ao cuidado da citada associação.

Estes dois entusiastas decidiram constituir um arquivo sob o formato de biblioteca, a que deram o nome de Fanzinoteca (*) - que será a primeira do seu género em Portugal -, localizada na sede da citada associação cultural, onde haverá espaço para a conservação de mais de mil exemplares, que faziam parte do acervo dos dois coleccionadores citados, e que abrange variadas temáticas, desde a banda desenhada à poesia, passando pela música, pela política e até pela culinária, não esquecendo decerto a ilustração.

O citado equipamento irá ser inaugurado com a presença de especialistas, editores e entusiastas - segundo reza a nota distribuída pela RTP Notícias -, e haverá também o lançamento de um novo fanzine, intitulado Ricardo, realizado no âmbito de um evento chamado "Risca, Corta e Cola", certamente levado a efeito em Coimbra.

 (*) Se o Cinema tem uma Cinemateca, o fanzine deveria ter uma Fanzineteca (o livro, cujo vocábulo deriva de biblio, esse é que, naturalmente, deu azo à palavra Biblioteca). No Brasil até há uma Zineteca  

Não estou a inventar nada, o vocábulo correcto até já existe. Veja-se:


                         Twitter / fdacma: adelanto de la fanzineteca ...
  1. https://twitter.com/fdacma/status/96700623776530432Em cache
  2. adelanto de la fanzineteca en fbk http://t.co/ebfGSXd.
  3. Los origenes de la fanzineteca on Twitpic

    twitpic.com/6iu5l3Em cache - Traduzir esta página
    10 Sep 2011 – Los origenes de la fanzineteca. arrow. name. twitter username. @reply to tagged user. Hide map and return to photo. Los origenes de la ...
  4. fdacma : llego el fanzine Cabeza a la fanzineteca gentileza Ivan ...

    twicsy.com/i/dGCWQEm cache - Traduzir esta página
    RSS Feed · @fdacma llego el fanzine Cabeza a la fanzineteca gentileza Ivan Rosado http://t.co/sgARdh3a - 2011-10-07 22:01:07 ...
  5. ABC comemora Dia Mundial do Fanzine
    www.overmundo.com.br/.../abc-comemora-dia-mundial-do-fanzineEm cache
    28 abr. 2011 – Além de ser exposto no evento, o material recebido entrará para o acervo do Projeto OFICINATIVA e participará das andanças da fanzineteca ...

NOTA FINAL
É verdade que em França, em Poitiers, há um equipamento cultural dedicado aos fanzines e que se chama "fanzinothèque", e daí, muito provavvelmente, os dois fanzinistas de Coimbra terem-se baseado nesse precedente.
Mas quem criou esse equipamento ter-se-á baseado na palavra Bibliothèque (com origem em biblio), tendo-se esquecido, ou não tendo reparado, que para o Cinema têm a Cinemathèque. Ou seja: a última vogal é que determina a formação da palavra.
E, devido a só agora criarmos uma biblioteca para os fanzines, tínhamos a possibilidade de não repetir essa incorrecção.