fanzines de banda desenhada

quarta-feira, novembro 25, 2009

Without Strings Attached - Nº1 - Abril 2008


Capa do fanzine



Eu sei o que tanto desejas (frase que está logo na prancha inicial) seria um bom título para esta bd. Quanto a quem a fez, ainda não consegui saber.

Não há nada no fanzine que diga quem são os autores das bedês, mas sei que esta A Caixa (em 2 pranchas) foi desenhada por Rodrigo de Oliveira, sob argumento de Manuel Espírito Santo


Vá lá que esta bd está assinada - P. Magalhães 2007)

A minha vasta colecção de fanzines - com exemplares desde 1972, ano I dos fanzines em Portugal - inclui três géneros:
I - Fanzines de Banda Desenhada
Aqueles que são preenchidos totalmente com bandas desenhadas, ou, eventualmente, também com alguns textos sobre BD;
II - Fanzines sobre Banda Desenhada
Os que, essencialmente, se dedicam a publicar textos de estudo, de crítica e de informação, podendo também incluir uma ou duas bandas desenhadas;
III - Fanzines com Banda Desenhada
Neste caso, o tema tratado pode ser completamente alheio à BD - a Música é o mais frequente - mas que também inclui bandas desenhadas, mesmo que apenas duas ou três.
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Without Strings Attached o fanzine a ser hoje aqui divulgado inclui-se nesta alínea III. Ou seja: os temas nele tratados são Cinema de Animação e Música, um texto literário, outro sobre o teatro de Marionetas do Porto, outro sobre BD, algumas ilustrações, e, claro, também reproduz bandas desenhadas (condição sine qua non para ser aqui referenciado).
Leiamos então excertos de alguns dos textos, divididos por temas:
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ANIMAÇÃO
Título: A Animação: procurem por ela em toda a parte
"(...) o que é que eu vejo nas suas (de Phil Mulloy) animações? Vida, em todo o seu esplendor. 'É difícil criar simplicidade?': foi o que o Phil Mulloy me disse. O homem que adaptou "O Velho e o Mar" de Hemingway duma forma perfeita, é disto que a animação trata. (...)
(...) História Trágica com Final Feliz é uma excelente animação, mas Regina Pessoa teve de olhar por ela e não é que se tornou no filme português com mais prémios de sempre? O original português é narrado pela Manuela Azevedo dos Clã e a dobragem em inglês é feita pela musa de vários filmes do Hal Hartley e uma das melhores actrizes que já vi, a magnífica Elina Lowensohn. (...)
(Excerto de texto não assinado)
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BANDA DESENHADA
Título: "O Mundo alucinante de Al Columbia"
Deambulando pelos caminhos da memória e das imagens particularizadas pelo excelente projeccionista de imagens e mensagens de um mundo nada utópico do mestre Al Columbia.
, oderia descrever com acutilância as suas histórias desenfredas onde vale tudo no "Biologic Show" ou nas páginas que ele foi fazendo para algumas antologias como: Blub, Zero Zero ou Taboo (antologia na qual brilharam as primeiras páginas de From Hell ou Lost Girls de Alan Moore).
Bocas grotescas e nós enquanto leitores a cairmos num abismo bem espelhado pelo Al Columbia, crianças que são um pouco sádicas e que brincam com os adultos; mentes dos personagens completamente alucinadas, nas quais parece que estamos a entrar nos mundos de Hyeronimus Bosch ou nas visões profetizadas por William Blake ou mesmo Aldous Huxley (no seu 'Portas da Percepção').
Poderia escrever sobre a fabulosa história publicada num dos números da revista Zero Zero, na qual é descrita com minúcia a amnésia que todos sofremos e porque é que não nos compreendemos uns aos outros apesar de sermos todos iguais.
Posso escrever um pouco sobre o episódio caricato do Al Columbia, que é convidado para acabar uma das obras primas da BD: Big Numbers, pedido feito pelo mago Alan Moore para a editora Tundra e que o Al Columbia recebeu os royalties quase por inteiro sobre 48 páginas (quando tinha feito só 3), mas como o Kevin eastman (editor da Tundra e criador das Tartarugas Ninja) e como o Alan Moore (o criador da obra Big Numbers) gostavam tanto do trabalho dele pagaram-lhe o trabalho das páginas todas sem sequer as verem e ele fugiu para Itália, pois já estava farto do mundo demasiado introspectivo da banda desenhada e encontraram-no em Itália a lavra pratos num restaurante qualquer.
Poderia falar-vos das inúmeras tentativas que fizeram, quer a Fantagraphics, quer montes de autores em geral para resgatar este autor mítico e que ele foi negando sempre: até poderia ficar muito rico com a banda desenhada ou a simples ilustração, segundo Kim Thompson (director da Fantagraphics) ou até as inúmeras tentativas de resgate por parte do já citado Alan Moore. Poderia escrever sobre uma das obras primas da banda desenhada de todos os tempos 'Doghead', que Al Columbia escreveu e desenhou (a única que ele finalizou). Na qual temas como o voyeurismo ou o suicídio são objecto de de estudo preciso:notam-se referências aos universos de autores como: Fellini, Lynch, Hal Hartley ou Franz Kafka e mesmo um Terence McKenna. Poderia também fazer a ligação com bandas como: Bauhaus, o universo do Bowie nos anos setenta, mas não, não pretendo fazer uma comparação seja com o que for (...)"
(Excerto de texto não assinado)
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MÚSICA
Título: "Uma escola Bauhaus
Através da união de esforços de 4 rapazes obteve-se um profundo conhecimento de ligações com mundos paralelos e interligados.
Oriundos de Northampton, Daniel Ash, David J. Kevin Haskins e Peter Murphy, criaram a famosa banda Bauhaus. Mas quem são os Bauhaus?
Conheço a sua música desde os meus 14 anos e, no entanto, continuo cada vez a descobrir mais coisas deles. Quando falei com o Peter Murphy pessoalmente, fiquei abismado, ali estava um dos ídolos da minha infância em carne e osso. Foi indescritível.
Volto à questão que sempre me martelou a cabeça: de quem eram aquelas palavras escritas no álbum "Mask", perguntava-me eu a mim mesmo em pequeno. Passados uns 8 anos, vim a saber que foram escritas por outro gajo de Northampton: Alan Moore que tinha trabalhado com o David J. na banda sonora do seu álbum de banda desenhada V for Vendetta que deu origem a um filme, mais ou menos interessante, mas distante da obra prima que é a bd.
Falei com o Peter Murphy de BD, de Cinema e claro de um dos ídolos dele: o Bowie (até tive sorte, pois depois no concerto ele cantou num encore um trecho do "scary monsters"(...) "
(Excerto de trecho não assinado)
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TEXTOS

1) Literário
Sem título
"A noite era calma, estava frio, estavam poucas pessoas na rua, as que estavam pareciam perdidas na perdida cidade. Cheguei à paragem e sentei-me, o autocarro já lá estava. Ainda era cedo, por isso acendi um cigarro. No chão ao pé do banco da paragem estava um saqco preto com um cordel vermelho a fechá-lo. era preto de plástico, era um saco de lixo, mas o seu aspecto embrulhado com todo o cuidado, não indicava que tinha lixo, teria algo de importante. Ningué estava por perto, alguém o deve ter esquecido... À minha frente do lado direito estava o autocarro que esperava, o motor estava a trabalhar, um pouco irritante (...)"
(Excerto de trecho não assinado)

2) Divulgatório
Título: Teatro de Marionetas do Porto
"Desde 1988, data da sua formação, o Teatro de Marionetas do Porto produziu e apresentou 23 espectáculos: Teatro Dom Roberto, Contos d'Aldeia, Entre a Vida e a Morte, Vida de Esopo, Miséria, Vai no Batalha, 3ª Estação e Máquina-Hamlet (co-produções com o Balleteatro Companhia), O Soldadinho, Joanica-Puff, IP5, Alice no País das Maravilhas (...) Os Encantos de Medeia, O lobo Diogo e o Mosquito Valentim e Cabaret Molotov. Todas estas produções representam experiências extremamente diversas ao nível da contemporaneidade do Teatro de Marionetas, procurando encontrar novas formas de concepção e manipulação de marionetas e novos caminhos no que diz respeito à interpretação e ao relacionamento com outras áreas de criação, como a dança, as artes plásticas e a música. (...)"
(Excerto de trecho não assinado)
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Without Strings Attached
Não indica data ou local de edição, nem número, nem editor
[nº 1] [Abril 2008]
Formato A5 - 30 páginas, mais capas
Capas em papel de cor, páginas a p/b
(O fanzine inclui um CD com entrevista aos "Magnesia")
Tiragem não indicada [100 exemplares]
Editores [Rodrigo de Oliveira e Manuel Espírito Santo]
Colaboradores: David Horta, Pedro Magalhães, Rodrigo de Oliveira, Manuel Espírito Santo
Local da edição: [Porto]

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